Empréstimo não contratado: o banco pode cobrar?

Não deve ser tratado como uma dívida válida um empréstimo que o consumidor realmente não contratou. Quando aparece um empréstimo desconhecido no extrato, no benefício do INSS ou no relatório de operações de crédito, é importante descobrir como a contratação ocorreu, contestar a operação junto à instituição financeira e preservar os documentos que possam comprovar a irregularidade.

A situação pode envolver fraude bancária, contratação indevida, falha de segurança ou erro no registro da instituição financeira. A responsabilidade do banco e as medidas cabíveis dependem das circunstâncias e das provas disponíveis.

O banco pode cobrar um empréstimo que eu não contratei?

Se não houve contratação válida, a cobrança pode ser contestada. O ponto central é verificar se o empréstimo realmente foi contratado pelo consumidor ou se houve fraude, erro de identificação, falsificação ou outra irregularidade.

A instituição financeira pode apresentar documentos e registros destinados a demonstrar a existência da contratação. Por isso, não basta simplesmente afirmar que o empréstimo não foi solicitado: é importante analisar como a contratação foi realizada e quais provas o banco apresenta.

Quando a operação é contestada, podem ser relevantes o contrato, registros de contratação digital, documentos, biometria, registros de acesso, comprovantes de depósito e demais elementos relacionados à operação.

O que é um empréstimo não contratado?

É a situação em que uma pessoa identifica uma operação de crédito registrada em seu nome e afirma não ter realizado ou autorizado aquela contratação.

Isso pode acontecer de diferentes formas:

  • Fraude envolvendo documentos pessoais;
  • Uso indevido de dados pessoais;
  • Contratação digital realizada por terceiro;
  • Empréstimo consignado não autorizado;
  • Fraude envolvendo aplicativos ou dispositivos;
  • Falsificação de assinatura;
  • Erro no registro ou na identificação da operação;
  • Outras formas de contratação fraudulenta.

A existência de uma operação desconhecida não significa, por si só, que o banco seja automaticamente responsável. É necessário analisar as circunstâncias concretas.

Como descobrir se existe um empréstimo em meu nome?

Uma das formas de identificar operações de crédito registradas em seu nome é consultar o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) do Banco Central.

O Banco Central informa que o SCR reúne informações sobre empréstimos e financiamentos e que a instituição financeira responsável pelo registro deve ser procurada quando o consumidor identificar uma dívida que não reconhece.

Segundo orientação atual do Banco Central, o consumidor deve primeiro entrar em contato com a instituição responsável pelo registro, utilizando os canais de atendimento da própria instituição. Caso o problema não seja resolvido, é possível recorrer à Ouvidoria e, persistindo a situação, registrar reclamação no Banco Central.

Veja a orientação oficial do Banco Central sobre dívida não reconhecida

Encontrei um empréstimo no meu nome que não reconheço. O que fazer?

Se você identificou uma operação de crédito que não reconhece, é recomendável agir rapidamente e organizar as informações antes de simplesmente ignorar a cobrança.

  1. Identifique a instituição financeira: descubra qual banco ou financeira aparece como responsável pelo contrato.
  2. Solicite informações sobre a contratação: peça cópia do contrato e dos registros utilizados para formalizar a operação.
  3. Conteste formalmente: informe que não reconhece a contratação e solicite as providências cabíveis.
  4. Guarde os protocolos: registre números de protocolo, mensagens, respostas e documentos fornecidos pelo banco.
  5. Verifique se houve desconto: confira sua conta, benefício previdenciário ou folha de pagamento.
  6. Registre a ocorrência quando houver indícios de fraude: o Boletim de Ocorrência pode integrar o conjunto documental do caso.
  7. Procure orientação jurídica quando necessário: especialmente quando a instituição não reconhece a irregularidade ou continua realizando cobranças.

O banco precisa apresentar o contrato do empréstimo?

A existência e a forma da contratação são pontos centrais quando o consumidor contesta um empréstimo. Por isso, os documentos e registros utilizados pela instituição financeira podem ser relevantes para esclarecer como a operação foi realizada.

Dependendo do meio utilizado para a contratação, podem existir documentos ou registros digitais relacionados a:

  • Contrato eletrônico;
  • Assinatura digital;
  • Biometria;
  • Selfie ou reconhecimento facial;
  • Registros de acesso;
  • Dados do dispositivo;
  • Data e horário da contratação;
  • Comprovante de disponibilização do crédito.

O conteúdo efetivamente apresentado pela instituição deve ser analisado para verificar se ele demonstra uma contratação válida e atribuível ao consumidor.

O banco depositou o dinheiro do empréstimo na minha conta. Isso significa que eu contratei?

Não necessariamente. A existência de um crédito na conta é um elemento relevante, mas não resolve sozinha a questão sobre a autoria da contratação.

É necessário analisar como o contrato foi formalizado, quem solicitou a operação e quais mecanismos de segurança foram utilizados.

Também pode ser necessário verificar se o dinheiro foi posteriormente movimentado por terceiros, especialmente quando existem indícios de fraude ou invasão de conta.

Em uma disputa judicial, a análise do conjunto de provas pode ser determinante para estabelecer se houve ou não contratação válida.

O banco pode continuar descontando as parcelas?

Quando o consumidor contesta a existência do contrato, é importante comunicar formalmente a instituição e avaliar as medidas disponíveis para impedir a continuidade de uma cobrança que possa ser indevida.

Em situações envolvendo desconto em benefício, folha de pagamento ou conta bancária, a urgência pode ser maior, principalmente quando a cobrança compromete recursos necessários para despesas essenciais.

Dependendo das circunstâncias, podem ser avaliadas medidas administrativas e judiciais, inclusive pedidos de urgência quando houver fundamento para tanto.

E se for um empréstimo consignado que eu não contratei?

O empréstimo consignado não autorizado merece atenção especial porque os descontos podem atingir diretamente salário, aposentadoria ou benefício previdenciário.

Quando o consumidor identifica um contrato consignado que não reconhece, é importante verificar:

  • Qual instituição financeira registrou a operação;
  • Quando o contrato foi criado;
  • Qual valor foi liberado;
  • Qual conta recebeu os recursos;
  • Qual documento foi utilizado;
  • Como a contratação foi autenticada;
  • Quando começaram os descontos.

Se você identificou um desconto de consignado que não autorizou, também pode ser importante verificar os registros existentes no benefício e os documentos apresentados pela instituição financeira.

Veja a atuação em Direito Bancário

NÃO AUTORIZEI O CONSIGNADO

O banco pode ser responsabilizado por um empréstimo fraudulento?

Em determinadas situações, sim, mas a responsabilidade não é automática. É necessário verificar se houve falha na prestação do serviço, deficiência nos mecanismos de segurança, contratação fraudulenta ou outras circunstâncias que relacionem o prejuízo ao serviço bancário.

A Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça estabelece que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito das operações bancárias.

Isso não significa que todo empréstimo contestado resulte automaticamente em condenação do banco. A análise depende das provas e das circunstâncias concretas.

O que o STJ diz sobre empréstimo não contratado?

O Superior Tribunal de Justiça tem analisado casos de empréstimos contratados de forma fraudulenta e falhas na prestação de serviços bancários.

Em decisão de maio de 2026, a Quarta Turma analisou um caso de empréstimo não contratado e reconheceu que havia falha na prestação do serviço, mas afastou a existência automática de dano moral. O entendimento destacado pelo Tribunal foi de que a contratação fraudulenta, por si só, não gera necessariamente dano moral in re ipsa; é necessário verificar se houve circunstância concreta que ultrapasse o mero aborrecimento e cause efetivo dano aos direitos da personalidade.

Essa distinção é importante: pode existir fundamento para contestar a dívida ou buscar a reparação de prejuízos sem que isso signifique que toda situação gere automaticamente uma indenização por dano moral.

Outro julgamento do STJ, publicado em junho de 2026, tratou de empréstimo consignado fraudulento e desconto indevido, mantendo discussão sobre responsabilidade e danos morais conforme as circunstâncias concretas do caso.

Veja decisões recentes do STJ sobre responsabilidade bancária

Posso pedir a devolução das parcelas que já paguei?

Dependendo das circunstâncias, pode existir direito à restituição de valores cobrados ou pagos indevidamente.

O artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor prevê a repetição do indébito em dobro para determinadas situações de cobrança indevida, ressalvada a hipótese de engano justificável.

No entanto, a aplicação dessa regra depende da situação concreta e da interpretação jurídica dos fatos. Não é correto afirmar que toda parcela de um empréstimo contestado será automaticamente devolvida em dobro.

Posso pedir indenização por danos morais?

Pode existir essa possibilidade, mas o dano moral não é automático em todo caso de empréstimo não contratado.

O STJ tem destacado que a fraude ou contratação indevida, por si só, não necessariamente configura dano moral presumido. A análise deve considerar as consequências concretas suportadas pelo consumidor.

Podem ser relevantes, por exemplo:

  • Descontos prolongados;
  • Comprometimento de renda;
  • Negativação indevida;
  • Cobranças insistentes;
  • Restrições de crédito;
  • Perda de valores relevantes;
  • Outras consequências concretas da fraude ou cobrança.

A existência e a extensão de eventual dano moral devem ser avaliadas de acordo com as circunstâncias do caso.

O empréstimo não contratado pode negativar meu nome?

Uma dívida que o consumidor afirma não ter contratado pode gerar uma discussão sobre a legitimidade da negativação.

Se o banco registra uma dívida decorrente de contrato que não foi validamente celebrado, pode ser necessário questionar tanto a existência do débito quanto seus efeitos.

Nessa situação, é importante guardar:

  • Notificação de cobrança;
  • Consulta ao SERASA ou SPC;
  • Contrato apresentado pelo banco;
  • Protocolos de contestação;
  • Extratos;
  • Demais documentos relacionados à dívida.

O caso deve ser analisado para determinar quais medidas podem ser adotadas.

Como comprovar que não contratei o empréstimo?

A prova depende de como a instituição afirma que o contrato foi celebrado. Por isso, o consumidor deve reunir documentos e informações que permitam comparar sua versão com os registros apresentados pelo banco.

Podem ser importantes:

  • Extratos bancários;
  • Contratos enviados pela instituição;
  • Protocolos de atendimento;
  • Mensagens e e-mails;
  • Registros de acesso;
  • Dados sobre o dispositivo utilizado;
  • Documentos pessoais;
  • Comprovantes de fraude;
  • Boletim de Ocorrência;
  • Informações sobre eventual depósito do empréstimo.

Em contratações digitais, os registros eletrônicos podem ser especialmente relevantes para verificar como e por quem a operação foi realizada.

O empréstimo foi feito por fraude digital. O problema também pode envolver Direito Digital?

Sim. Quando a contratação indevida envolve invasão de conta, celular, aplicativo, WhatsApp, engenharia social ou uso fraudulento de dados digitais, pode existir uma dimensão de Direito Digital além da questão bancária.

Nesses casos, a análise pode envolver tanto a relação com a instituição financeira quanto a preservação de provas digitais e a apuração da forma como os dados ou credenciais foram utilizados.

Veja também: Crimes Cibernéticos e Direito Digital

Veja também: Direito Digital e Redes Sociais

O que fazer se o banco disser que eu contratei o empréstimo?

Peça os documentos e registros que a instituição utiliza para afirmar que houve contratação.

Se você realmente não reconhece a operação, é importante analisar:

  • O contrato apresentado;
  • Forma de assinatura;
  • Dados utilizados na contratação;
  • Registros de autenticação;
  • Eventuais dados biométricos;
  • Dispositivo e acesso utilizados;
  • Destino do dinheiro;
  • Demais elementos relacionados à operação.

Não é recomendável reconhecer uma dívida apenas para conseguir encerrar uma cobrança sem antes compreender a origem da contratação contestada.

Quanto tempo tenho para contestar um empréstimo não contratado?

Não existe um único prazo aplicável a toda situação de empréstimo não contratado. O prazo pode depender do tipo de pretensão, da relação jurídica, da natureza da cobrança e dos fatos envolvidos.

Por isso, não é recomendável adiar a contestação. Quanto mais cedo a instituição for comunicada e os documentos forem preservados, mais organizada tende a ficar a reconstrução dos fatos.

Empréstimo não contratado em Ribeirão das Neves, Belo Horizonte e Região

O Valter Lopes Advocacia atua em casos de fraude bancária, empréstimo não contratado, empréstimo consignado não autorizado, descontos indevidos e outras questões de Direito Bancário, com atendimento em Ribeirão das Neves, Belo Horizonte, Lagoa Santa, Contagem e Região Metropolitana.

A atuação também pode envolver situações em que a fraude bancária possui elementos digitais, como invasão de dispositivos, aplicativos ou utilização indevida de dados.

O escritório possui atuação integrada em Direito Bancário e Direito Digital, com formação do Dr. Valter Lopes em Direito e Ciência da Computação.

Conheça a atuação em Direito Bancário

Como funciona a análise de um empréstimo que você não contratou?

1. Identificação da operação

Verificamos qual instituição registrou o empréstimo, qual é o valor, quando a operação ocorreu e onde os recursos foram depositados.

2. Análise da contratação

São avaliados os documentos e registros utilizados para afirmar que o contrato foi celebrado.

3. Análise da fraude ou irregularidade

Quando há indícios de fraude, são analisadas as circunstâncias que permitiram a contratação e os elementos relacionados à segurança da operação.

4. Avaliação dos prejuízos

Podem ser analisados descontos, cobranças, negativação, valores movimentados e outros efeitos decorrentes da operação contestada.

5. Definição das medidas cabíveis

Conforme as circunstâncias, podem ser avaliadas medidas administrativas, extrajudiciais ou judiciais.

Perguntas frequentes

O banco pode cobrar um empréstimo que eu não fiz?

Se não houve contratação válida, a cobrança pode ser contestada. É necessário analisar os documentos e registros apresentados pela instituição financeira para verificar como a operação foi realizada e se existe fundamento para considerar o contrato válido.

Como descobrir se fizeram um empréstimo no meu nome?

Uma alternativa é consultar o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) do Banco Central e verificar as operações registradas. O próprio Banco Central orienta o consumidor a procurar a instituição responsável quando encontrar uma dívida que não reconhece.

O que fazer quando aparece um empréstimo que não reconheço?

Identifique a instituição responsável, solicite informações e cópia dos documentos da contratação, conteste formalmente a operação, guarde os protocolos e verifique se existem descontos ou outras cobranças. Quando houver indícios de fraude ou a instituição não solucionar o problema, pode ser necessária orientação jurídica.

O banco precisa provar que eu contratei?

A instituição pode apresentar documentos e registros para demonstrar a contratação. Quando existe controvérsia, esses elementos devem ser analisados para verificar se demonstram de forma suficiente que a operação foi realmente realizada pelo consumidor.

Empréstimo consignado não contratado pode ser cancelado?

Uma contratação que o consumidor não reconhece pode ser contestada. A forma de cancelamento e as demais medidas dependem da análise do contrato, dos registros da instituição, dos descontos realizados e das circunstâncias da operação.

Posso receber de volta os valores que foram descontados?

Dependendo das circunstâncias, pode existir direito à restituição dos valores cobrados ou pagos indevidamente. A possibilidade de repetição em dobro depende dos requisitos jurídicos aplicáveis ao caso concreto.

Posso receber indenização por danos morais?

Pode existir essa possibilidade em determinadas situações, mas o dano moral não é automático em todo caso de empréstimo não contratado. O STJ exige análise das circunstâncias concretas para verificar se houve dano que ultrapasse o mero aborrecimento.

Empréstimo não contratado: o que fazer agora?

Se apareceu um empréstimo que você não reconhece, não ignore a cobrança. Identifique a instituição responsável, reúna os documentos, solicite os registros da contratação e conteste a operação pelos canais oficiais.

Quando houver fraude, descontos indevidos, negativação ou resistência da instituição em solucionar o problema, uma análise jurídica pode ajudar a identificar as medidas cabíveis.

O Valter Lopes Advocacia atua na defesa de consumidores em questões de Direito Bancário e fraudes digitais, com atendimento em Ribeirão das Neves, Belo Horizonte, Lagoa Santa, Contagem e Região Metropolitana.

Este artigo é de caráter meramente informativo, elaborado por profissionais do Escritório Valter Lopes Advocacia.