Se você foi acusado de violência doméstica, recebeu uma intimação da Polícia Civil ou descobriu que existe um pedido de medida protetiva contra você, as primeiras horas exigem atenção. Uma atitude impulsiva pode dificultar a defesa ou criar um novo problema jurídico.
O primeiro passo é compreender exatamente o que aconteceu: existe apenas uma denúncia, você foi intimado para depor, foi preso em flagrante ou já existe uma decisão judicial impondo restrições?
Não procure a pessoa que fez a denúncia para exigir explicações, não apague mensagens e não descumpra qualquer medida protetiva. Preserve os documentos e procure orientação jurídica antes de prestar declarações sobre os fatos.
O Valter Lopes Advocacia atua na defesa criminal em casos relacionados à Lei Maria da Penha, incluindo acompanhamento em delegacia, audiência de custódia, análise de medidas protetivas, pedidos de liberdade e defesa em processo penal.
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O Que Fazer Imediatamente Após uma Acusação de Violência Doméstica?
Antes de tomar qualquer decisão, identifique sua situação jurídica. Uma comunicação informal sobre a existência de uma denúncia não é a mesma coisa que uma intimação policial, uma medida protetiva ou uma prisão.
Nas primeiras 24 horas, as providências mais importantes são:
- Verificar se existe intimação, mandado ou decisão judicial.
- Não entrar em contato com a pessoa que fez a denúncia para discutir o caso.
- Preservar mensagens, documentos, fotografias e outros elementos potencialmente relevantes.
- Evitar publicações sobre o episódio em redes sociais.
- Não combinar versões com familiares ou testemunhas.
- Procurar advogado criminalista para analisar os fatos e os documentos disponíveis.
- Cumprir integralmente qualquer medida protetiva de que tenha sido formalmente cientificado.
Essas providências não substituem a defesa técnica. Elas ajudam a evitar que a situação seja agravada antes de uma análise individualizada.
1. Fui Acusado de Violência Doméstica: Devo Procurar a Vítima para Conversar?
Não é recomendável procurar a pessoa que fez a denúncia para discutir os fatos, pedir que retire a acusação ou tentar obter uma declaração favorável.
Se já existir medida protetiva proibindo contato ou aproximação, a tentativa poderá configurar descumprimento da ordem judicial, conforme seu conteúdo e as circunstâncias.
Mesmo sem medida protetiva, mensagens insistentes, ameaças, pressões ou tentativas de influenciar declarações podem gerar novos elementos de investigação.
Se houver filhos, bens, documentos ou assuntos familiares urgentes, a forma de tratar essas questões deverá ser avaliada juridicamente. A existência de vínculo familiar não autoriza o descumprimento de restrições judiciais.
2. Recebi uma Intimação da Polícia Civil por Violência Doméstica: O Que Fazer?
Uma intimação policial deve ser examinada antes do comparecimento. É importante verificar a unidade policial, a data, o horário, a condição em que você foi chamado e o objeto do procedimento, quando informado.
Você pode ser chamado para prestar esclarecimentos como investigado ou em outra condição processual. Essa distinção importa para compreender seus direitos e a finalidade do ato.
Se estiver sendo investigado, você possui direito ao silêncio quanto a perguntas que possam incriminá-lo e direito à assistência de advogado. O exercício desses direitos não deve ser confundido com confissão.
Não é adequado preparar uma versão dos fatos sem conhecer minimamente a imputação e os elementos acessíveis da investigação.
Posso Ir à Delegacia sem Advogado?
A presença de advogado é especialmente relevante quando a pessoa foi chamada na condição de investigada ou existe risco de medidas cautelares.
O advogado poderá analisar os documentos disponíveis, orientar sobre o exercício dos direitos constitucionais e acompanhar o ato, observados os limites legais de acesso à investigação.
Isso não significa que todo depoimento deva ser recusado. A decisão sobre prestar declarações, responder a determinadas perguntas ou exercer o direito ao silêncio depende do caso concreto.
3. Posso Ser Preso Apenas Porque Fui Denunciado por Violência Doméstica?
A simples existência de uma denúncia não significa que a prisão seja automática.
A prisão em flagrante depende de situação legal de flagrância. Já a prisão preventiva exige decisão judicial fundamentada e o preenchimento dos requisitos legais.
Em casos de violência doméstica, a legislação prevê mecanismos específicos de proteção e hipóteses de prisão preventiva, inclusive quando necessária para garantir a execução de medidas protetivas, observados os requisitos aplicáveis.
Por isso, é necessário distinguir a existência da acusação, os elementos de prova, o risco alegado e a fundamentação de eventual decisão judicial.
Fui Preso em Flagrante por Violência Doméstica. O Que Acontece Agora?
Após a prisão, deverão ser observadas as providências legais relativas ao flagrante e à apresentação da pessoa presa ao controle judicial, conforme as regras aplicáveis.
Na audiência de custódia, são examinadas questões relacionadas à legalidade da prisão, à necessidade de manutenção da custódia e à possibilidade de medidas cautelares diversas.
A audiência de custódia não é o momento de realizar o julgamento definitivo da acusação.
O advogado poderá analisar o auto de prisão, a fundamentação das medidas requeridas e os elementos disponíveis para formular os pedidos juridicamente cabíveis.
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4. Recebi uma Medida Protetiva: Posso Voltar para Casa?
Depende do conteúdo da decisão judicial.
Uma medida protetiva pode determinar afastamento do lar, proibição de aproximação, proibição de contato ou outras restrições legalmente previstas.
Se a decisão determinar que você se afaste da residência, não volte ao imóvel por iniciativa própria, mesmo que precise buscar roupas, documentos, medicamentos ou objetos pessoais.
A retirada de pertences deverá ser organizada de maneira compatível com a ordem judicial, mediante orientação jurídica e, quando necessário, providência perante a autoridade competente.
O mesmo cuidado vale para o contato por telefone, WhatsApp, redes sociais ou por intermédio de terceiros.
E se a Pessoa que Pediu a Medida Protetiva Me Chamar para Conversar?
Se existir proibição judicial de contato ou aproximação, um convite da pessoa protegida não deve ser tratado como autorização para descumprir a decisão.
Enquanto a medida estiver vigente, é necessário respeitar seus termos. Eventual revisão, modificação ou revogação deverá ocorrer pela via jurídica adequada.
Para compreender os efeitos das restrições, veja também: recebi uma medida protetiva: posso voltar para casa ou falar com a vítima?
5. Posso Ser Preso por Descumprir uma Medida Protetiva?
Sim. O descumprimento de decisão judicial que concede medida protetiva de urgência pode configurar o crime previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha.
A análise dependerá da decisão, da ciência da ordem, da conduta praticada e das demais circunstâncias juridicamente relevantes.
Além da possível responsabilização criminal pelo descumprimento, a conduta pode influenciar a avaliação judicial sobre a necessidade de outras medidas cautelares.
Por isso, se houver dúvida sobre a distância permitida, contato com filhos, acesso ao imóvel ou qualquer outra restrição, não tente interpretar a ordem por conta própria.
6. Fui Acusado Injustamente de Violência Doméstica. Como Posso Me Defender?
Se você afirma que a acusação não corresponde ao que aconteceu, a defesa deve começar pela identificação precisa dos fatos imputados e das provas disponíveis.
Não basta afirmar genericamente que a denúncia é falsa. É necessário verificar quais elementos podem confirmar ou contrariar cada alegação.
Dependendo do caso, podem ser relevantes:
- Mensagens anteriores e posteriores ao episódio.
- Registros de chamadas e comunicações.
- Fotografias e vídeos obtidos licitamente.
- Registros de localização, quando pertinentes e licitamente disponíveis.
- Documentos médicos e outros registros contemporâneos aos fatos.
- Testemunhas que tenham conhecimento direto dos acontecimentos.
- Imagens de câmeras cuja preservação possa ser solicitada.
- Documentos que esclareçam a cronologia dos eventos.
O valor de cada prova depende de sua origem, autenticidade, contexto e relação com os fatos investigados.
A defesa também deverá analisar os elementos apresentados pela acusação, sem presumir que a ausência de testemunhas presenciais ou de lesões físicas seja suficiente para afastar qualquer imputação.
7. Devo Apagar Mensagens, Fotos ou Conversas de WhatsApp?
Não. Se uma conversa ou arquivo possui relação com os fatos, sua preservação pode ser relevante para a apuração.
Apagar mensagens, editar imagens, selecionar apenas trechos favoráveis ou alterar arquivos pode prejudicar a compreensão do contexto e criar questionamentos sobre a integridade da prova.
O ideal é preservar os registros originais, inclusive informações de data, horário e identificação das comunicações, quando disponíveis.
Não acesse contas, dispositivos ou conversas de outra pessoa sem autorização ou fundamento jurídico. A busca por provas para a defesa não autoriza invasão de privacidade ou prática de ilícitos.
8. Posso Publicar Minha Versão nas Redes Sociais?
Durante uma investigação, publicações impulsivas podem ampliar o conflito e produzir novos registros que serão posteriormente analisados.
Evite expor a pessoa envolvida, divulgar conversas privadas, fazer acusações públicas ou publicar conteúdo que possa ser interpretado como ameaça, constrangimento ou tentativa de influenciar o procedimento.
Se houver necessidade de apresentar documentos ou esclarecer fatos, a estratégia deve ser definida de maneira juridicamente adequada.
9. A Vítima Pode Retirar a Queixa de Violência Doméstica?
Não existe uma resposta única para todas as infrações relacionadas à violência doméstica.
É necessário identificar o delito investigado e a natureza da ação penal.
Em determinados crimes, a persecução penal não depende da vontade posterior da pessoa ofendida. Em outros, a representação possui relevância jurídica e eventual retratação deve observar os requisitos legais.
Portanto, não presuma que uma reconciliação, uma mensagem de desistência ou uma declaração informal encerrará automaticamente o procedimento.
Também não procure a pessoa que fez a denúncia para convencê-la a desistir.
10. Uma Acusação de Violência Doméstica Sempre Envolve Agressão Física?
Não. A Lei Maria da Penha contempla diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, incluindo violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Isso não significa que toda discussão entre pessoas que mantêm ou mantiveram relacionamento configure automaticamente um crime.
É necessário examinar a conduta atribuída ao investigado, o contexto da relação, os elementos de prova e o enquadramento jurídico correspondente.
Também é importante distinguir a análise de eventual infração penal dos requisitos para concessão e manutenção de medidas protetivas.
11. Posso Ver Meus Filhos Depois de Receber uma Medida Protetiva?
O contato com filhos depende do conteúdo da decisão judicial e das circunstâncias familiares.
Uma medida protetiva pode repercutir sobre visitas, aproximação, comunicação e outras questões, conforme o que tiver sido determinado.
Não utilize os filhos ou familiares como intermediários para transmitir mensagens à pessoa protegida quando isso contrariar as restrições impostas.
Se houver necessidade de organizar convivência, entrega de documentos ou questões relacionadas às crianças, o caminho deve ser definido juridicamente, respeitando as decisões existentes.
12. Quanto Tempo Dura uma Medida Protetiva?
Não existe um prazo único que se aplique indistintamente a todas as medidas protetivas.
A duração está relacionada à necessidade de proteção e à avaliação das circunstâncias do caso.
A ausência de uma data expressa para o término não autoriza considerar que a medida deixou de valer por conta própria.
Quando houver fundamentos para revisão ou revogação, a questão poderá ser submetida à autoridade judicial competente.
13. Como Funciona a Defesa em um Processo de Violência Doméstica?
A estratégia depende da fase do procedimento e da imputação.
Na investigação, o trabalho pode envolver análise dos elementos disponíveis, acompanhamento de atos policiais, orientação sobre declarações e preservação de provas.
Se houver prisão ou medidas cautelares, será necessário examinar seus fundamentos e avaliar os pedidos cabíveis.
Em eventual processo penal, a defesa deverá analisar a acusação, as provas, as questões processuais e as teses juridicamente sustentáveis.
Não existe uma tese única que sirva para todos os casos de violência doméstica. A atuação deve partir dos fatos e dos elementos concretos.
14. O Que Levar para a Primeira Análise com o Advogado Criminalista?
Se você foi acusado de violência doméstica, reúna os documentos que já possui, sem tentar obter provas por meios ilícitos ou descumprir ordens judiciais.
Podem ser úteis:
- Intimação policial, se recebida.
- Decisão de medida protetiva, se houver.
- Documentos relativos à prisão ou audiência de custódia, quando existentes.
- Mensagens e arquivos preservados em seu formato original.
- Informações sobre data, horário e local dos acontecimentos.
- Documentos relacionados a filhos, residência ou outras questões afetadas pelas restrições.
- Identificação de possíveis testemunhas, sem procurá-las para combinar declarações.
Se você ainda não possui acesso aos autos ou não sabe exatamente o que foi registrado contra você, essa também é uma informação importante para a análise inicial.
Advogado de Defesa na Lei Maria da Penha em Belo Horizonte e Região

O Valter Lopes Advocacia atua na defesa de pessoas investigadas ou acusadas em casos relacionados à Lei Maria da Penha, com atendimento em Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Lagoa Santa e Região Metropolitana de BH.
O Dr. Valter Lopes realiza análise jurídica de intimações policiais, medidas protetivas, prisões em flagrante, pedidos de liberdade, elementos de prova e processos criminais relacionados à violência doméstica.
O atendimento é direcionado a quem procura advogado porque foi acusado de violência doméstica em Belo Horizonte, recebeu intimação da Polícia Civil em Ribeirão das Neves, precisa compreender uma medida protetiva em Lagoa Santa ou necessita de assistência criminal após uma prisão.
Também podem ser analisadas situações em que o investigado afirma ter sido acusado injustamente, possui mensagens ou documentos relevantes para a defesa, foi afastado da residência ou precisa compreender as consequências de uma decisão judicial.
A análise individualizada permite identificar a fase do procedimento, os direitos do investigado, as restrições existentes e as medidas jurídicas compatíveis com o caso.
Conheça também a atuação do escritório em defesa criminal em casos relacionados à Lei Maria da Penha.
Quero Orientação sobre Minha Defesa Criminal
Este conteúdo possui caráter meramente informativo e não substitui a análise jurídica individualizada.
